segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Desencontro - Toquinho e Osias Canuto



Na gravação do disco "Chico Buarque de Hollanda Volume 3" a música Desencontro é interpretada por Chico Buarque e Toquinho. Agora, com muita satisfação, chegou a minha vez de cantar Desencontro na ilustre e agradável companhia da voz e violão de Toquinho.
Osias Canuto e Toquinho




terça-feira, 2 de outubro de 2018

Tony Bennett e Amy Winehouse




Um senhor americano, de 85 anos, que canta "Bori" and Soul; uma menina inglesa, de 27 anos, que canta "Bodi" and Soul; e um vídeo de imagens maravilhosas.
"Esse encontro com Tony foi perfeito, nossa sintonia é incrível, eu acho que não poderia ter sido melhor". Amy Winehouse
"Ela foi a melhor de todos os jovens artistas que eu conheci nos últimos 10 ou 15 anos" Tony Bennett
Body and Soul é uma canção dos anos 30 que já foi gravada por Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e outros tantos gênios do Jazz. A despeito de eu conhecer e adorar várias dessas gravações, acabo de eleger essa como a minha versão preferida. É a última aparição musical de Amy Winehouse. Se ela tinha alguma desconfiança que a vida lhe seria breve, não poderia ter escolhido companhia melhor para um adeus.
Ao lado do gênio Tony Bennett, imagens de uma Amy Winehouse tranquila, graciosa e musicalmente perfeita, pairando leve sobre todo sensacionalismo barato que se costuma ler e ouvir sobre ela.
A vida é realmente bela!

terça-feira, 17 de julho de 2018

Flamengo até Morrer! Será?


Charles Darwin empregou o termo "Sobrevivência do Mais Apto" como sinônimo de "Seleção Natural". O organismo que se adapta mais facilmente ao meio aumenta suas chances de sobrevivência num mundo hostil e adverso.
E lá ia a moça caminhando vestida no manto sagrado do Flamengo. Era linda. O verdadeiro canalha deve pensar rápido. Tirei a camisa na qual estava equivocadamente trajado e parei o carro. Ofereci carona e fomos comemorar o título de campeão brasileiro. Éramos uma emoção só. Um só coração rubro-negro. Cantamos o hino, pulamos, gritamos como ensandecidos na geral do Maracanã:  Meeenngoooo!!!
Em pouco tempo ela já se considerava minha namorada, noiva, esposa e já estávamos fazendo planos. Nos casaríamos numa igreja enfeitada com bandeiras do nosso time, passaríamos a lua de mel no Rio de Janeiro, iríamos juntos ao estádio torcer pelo nosso time. O terno e o vestido de noiva fariam lembrar as cores do Mengão, um espetáculo só possível quando paixões tão intensas se misturam!!! Incrível como a emoção do futebol decide destinos. 
Assim prosseguimos sonhando e, principalmente, comemorando. Ela me apresentou outras tantas lindas flamenguistas e a todas beijei e abracei com rubros sentimentos e negras intenções, afinal, o nosso Flamengo era campeão brasileiro. Mas o local estava demasiado cheio, e acabamos nos perdendo um do outro. Procurei-a por alguns instantes e, como não encontrei, meu amor por ela foi declinando a cada passo e renascendo em outras faces. Eram tantas rubro-negras, e estavam todas tão felizes e acessíveis. Terminei a noite nos braços de outra linda torcedora cujo nome também não me lembro. 
Quando entrou no meu carro, ao ver a camisa que eu tinha tirado no começo da história perguntou: - O que é isso? Respondi com toda naturalidade possível: – É minha camisa do Botafogo! – Mas você não estava lá cantando o hino do flamengo? – Estava. Mas não vamos nos apegar aos detalhes. – Então, você é Botafoguense? – Sim, Botafoguense. Mas não sou cego nem burro! 
A vida é realmente bela!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Anjo Exterminado

Quando ouvi Anjo Exterminado pela primeira vez, na voz de Jards Macalé, na hora senti vontade de dar um outro arranjo, que eu achava mais apropriado à leveza da letra. Acabei gravando no Rio de Janeiro, o que foi fundamental por conta da referência na música.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Out Of Control



I'M OUT OF CONTROL, I'M DRUNK AT A BAR
UNTIL I GO CRAZY, I NEED MY GUITAR
I WANNA PLAY SMOKE ON THE WATER
I WANNA PLAY THAT'S THE WAY
I WANNA PLAY HEAVEN AND HELL
I WANNA PLAY FINDING MY WAY

I'M OUT OF CONTROL, I'M DRUNK AT A BAR
UNTIL I GO CRAZY, I NEED MY GUITAR
I WANNA PLAY ACES HIGH
I WANNA PLAY HEY JOE, LITTLE WING
I WANNA PLAY INTO THE LENS
I WANNA PLAY A FAREWELL TO KINGS

I'M OUT OF CONTROL, I'M DRUNK AT A BAR
UNTIL I GO CRAZY, I NEED MY GUITAR
I WANNA PLAY SUBDVISIONS, THE TREES
I WANNA PLAY THE ENEMY WHITHIN
I WANNA PLAY CLOSER TO THE HEART
I WANNA PLAY YYZ

Osias Canuto: Guitarra, Música e Letra
Cesar Miranda: Vocal
Bruno Wambier: Teclado
Caco Gonçalves: Bateria
Giovanni Sena: Contrabaixo
Marcelo Sá: Produção Musical
Caio Cortonesi: Produção de Vídeo
Ricarto Ponte: Masterização e Mixagem


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Fila Night Run


Conta a lenda, que no ano de 490 a.C., soldados gregos deixaram Atenas rumo à planície de Marathónas a fim travar guerra contra os persas. Estes últimos haviam jurado que, vencida a batalha, iriam até a capital grega para violar as mulheres e matar as crianças. Assustados, os atenienses ordenaram a suas esposas que se no espaço de um dia não chegasse notícia de sua vitória, matassem seus filhos e, em seguida, se suicidassem. Os gregos conseguiram a vitória, mas a luta durou mais tempo que o previsto e eles ficaram com medo que elas dessem conta do combinado. Preocupado, o general Milcíades ordenou ao soldado Filípides que corresse os 42 km até Atenas para dar a boa notícia. Filípides cumpriu a ordem, mas ao chegar disse apenas "vencemos", e caiu morto.
A corrida Fila Night Run é realmente um espetáculo. Minha esposa, com sua profunda sabedoria e desconfiança, não permite que eu compareça sozinho ao local. Moças e senhoras muito bonitas e distintas, todas devidamente maquiadas, completam a prova de 5 Km no assombroso tempo de 50 e muitos minutos, ou seja, tempo suficiente para dar duas voltas ao mundo. Fico me perguntando o que estas elegantes criaturas fazem durante o percurso? Quem saberá?
Vamos aos fatos. Chegando lá já encontro um amigo de infância.
– Ainda não parei de fumar. Tá complicado. Hoje só vim para passear e ver as mulheres. Será que você não pode me conduzir para que eu faça os 5 km em 30 minutos?
Considerando o número enorme de atletas que tem a prova decido que não é uma má idéia ajudá-lo em tal propósito.
– Ok. Eu dito o ritmo.
E lá vamos nós. Tudo muito lento. É uma quantidade infinita de gente que pretende largar e chegar sem estragar o cabelo ou a pintura. Não posso atrapalhá-los. Ninguém tem obrigação de se inscrever numa corrida para correr.
Meu colega parece satisfeito com o ritmo. Olha para um lado e para o outro resfolegando e admirando a paisagem. Na altura do segundo quilômetro o primeiro posto de água. Meu amigo está muito cansado. Arrastando-se no deserto clama por água. Digo-lhe que continue correndo, andando, sei lá, e pego um copo para ele. Antes que eu possa alertar que deve apenas molhar a boca ele toma tudo e vejo que seus olhos pedem mais. Porém, diante do posto de água travava-se uma verdadeira batalha. Todos avançam como se fora um oásis no Saara. Corpos se movem em flagelo implorando o líquido precioso que irá salvá-los. A maioria pega mais de um copo. Vendo aquela luta desesperada após apenas dois quilômetros de corrida lembro-me da história das maratonas. Naquele instante, dezenas de Filípides já ameaçavam cair mortos em pleno deserto da Esplanada. Apesar dos tênis de alta performance e dos modelos adequados de shorts e blusas, se dependesse destes guerreiros e guerreiras teria ocorrido uma tragédia em Atenas. Felizmente tratava-se apenas de uma corrida de final de semana, e todos estávamos ali somente por diversão.
Prosseguindo, nos deparamos com novo obstáculo. Lá vinha uma senhora correndo com seu cachorrinho. Corretíssimo. Uma corrida de rua é perfeita para que você leve seu cachorro. Ainda mais se ele for minúsculo. A madame estava desesperada tentando que ninguém pisasse o animal. Não sei se conseguiu o feito, pois me deparei com ela no quilômetro três. Um encontro nada agradável. A coleira do ultrajado cão enganchou-se nas pernas do meu amigo, não o levou ao chão, mas o derrubou. Tentou usar o acontecido como um pretexto para desistir. Não permiti. Enfim, entre trancos e barrancos apontei a ele as luzes da reta final. Terminamos o desfile dentro do tempo planejado.
Superado o estranhamento e já imbuído do espírito da prova planejo para o próximo ano executar a corrida de uma forma mais apropriada. Talvez eu corra de costas ou num pé só.
A vida é realmente bela!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Macbeth

Quando compus Macbeth eu sabia que tinha me metido numa encrenca. Macbeth é uma tragédia de Shakespeare. Traduzir isso em música não era fácil. Precisava ser grandioso. Mas com o trabalho de tanta gente brilhante, só podia dar certo.
Arranjos de base do Marcelo Sá, a quem confio minhas músicas. Os teclados incríveis do Bruno Wambier, que deixei livre para criar e colar na minha guitarra. A sustentanção de todo o peso da música nas mãos dos competentíssimos Giovanni Sena (Baixo) e Caco Gonçalves (Bateria). E, por fim, o vocal do Alirio Netto. Uma voz linda numa interpretação impecável.
Abaixo o vídeo no youtube e o link para baixar o MP3: Versão MP3 para baixar



terça-feira, 15 de maio de 2018

A Dama do Lotação - Pecado Original


Quando a gente volta o rosto para o céu 
e diz olhos nos olhos da imensidão:
- Eu não sou cachorro não!

“Você há de brilhar como o Sol, até o fim dos tempos” – Essa foi a frase dita por Nelson Rodrigues para Caetano Veloso. O autor fazia o elogio após ouvir a canção Pecado Original, composta por Caetano para o filme “A Dama do Lotação”, de Neville de Almeida, e baseado na obra de Nelson Rodrigues.  Considerando a belíssima melodia e a letra irretocável, eu diria que o escritor não cometeu nenhum exagero. 
Quando ouvi pela primeira vez essa canção já corri para o violão e tratei de tocá-la. De lá para cá, tornou-se uma das minhas canções preferidas. Daquelas que nunca deixo de tocar. 
A vida é realmente bela!


terça-feira, 3 de abril de 2018

Receituário Para a Salvação das Almas

Entre tantos textos lidos que povoam minha cabeça desde a mais tenra idade existem alguns que me perseguem diariamente, e que eu os carrego tatuados em minha mente. Fazem parte do meu receituário para a salvação das almas.

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Sinuca Com Walter Brasília e Toquinho


Walter Silva, também conhecido como Walter Brasília, é um sujeito incrível. Sinuca, violão e nos tornamos amigos. Em pouco menos de um mês fizemos uma amizade de mais de trinta anos. Como é possível? Simples. Walter é uma pessoa tão agradável, que em duas horas de conversa, você já se sente amigo de dois anos e, após alguns dias, você já é amigo de décadas. E assim tem sido. Duas vezes por semana nos encontramos para jogar, conversar e, como não poderia deixar de ser, tocar violão. 
Walter é um exímio jogador cercado por outros tantos grandes jogadores e, principalmente, grandes seres humanos. O que ele faz numa mesa de sinuca não se escreve, é preciso ver. É possível passar horas e horas admirando seu show. E tudo feito com uma humildade sem tamanho. Como se fossem óbvias as jogadas mais mirabolantes e inimagináveis.
Na última sexta feira, lá estava o Walter com um de seus inúmeros violões. Um violão espanhol de 1985. Maravilhoso. Uma sonoridade agradabilíssima. Toquei, toquei, toquei.... e aí ele me avisou: "Hoje o Toquinho vem aqui e eu vou dar esse violão de presente a ele." E assim foi. Toquinho tinha show marcado para as 11 da noite, mas como é um apaixonado pela sinuca, resolveu dar umas tacadas antes. É a simplicidade em pessoa. Chegou, dedilhou um pouco o violão que acabara de receber de presente e, emocionado, pediu que o amigo Walter autografasse o instrumento. As fotos estão aí. A vida é realmente bela!
Osias Canuto e Toquinho











sexta-feira, 23 de março de 2018

Hellen

Foram vários dias de estúdio entre gravações e filmagens na companhia de grandes músicos. E o resultado desse meu primeiro trabalho como guitarrista não poderia ficar melhor. Música e letra de minha autoria.

Osias Canuto - Vocal e Guitarra
Bruno Wambier - Teclados e Piano
Marcelo Sá - Guitarra
Macarra - Baixo
Daniel Oliveira - Bateria

Marcelo Sá - Produção Musical
Ricardo Ponte - Mixagem e Masterização
Caio Cortonesi - Produção de Vídeo
Agradecimentos - Igos Sant'Anna, Adolfo Alvarenga, Chris Zwart e Jim Cipolla



segunda-feira, 5 de março de 2018

O Violão do Mestre Gamela

Mestre de vários músicos de Brasília como Rosa Passos e Nelson Faria, Gamela tinha um método peculiar de ensinar violão.  Dava aula ensinando por repetição os arranjos que fazia de várias composições da bossa nova. Era ali, olho no olho, dedo no dedo e você aprendia a tocar os mais sofisticados e belos arranjos.
 Gamela era engraçadíssimo e tinha um mau humor folclórico quando falava de música e músicos que não gostava. Sua frase preferida era: "se eu acho Bethoven mais ou menos, imagina o que não estou achando disso." Imaginem eu, que sou apaixonado por Chico Buarque, que Gamela detestava, tinha que aguentar durante as aulas.
 Numa minúscula quitinete situada na 105 norte, passei boa parte de minhas noites tocando, conversando, rindo, discutindo e aprendendo com o mestre. Corcovado, Eu Sei Que Vou Te Amar, Canto de Ossanha, O Barquinho, e por aí vai. Enfim, fica aí abaixo, no arranjo de Manhã de Carnaval, minha homenagem ao grande mestre.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Encarando Ali

Quem gosta de boxe precisa assistir ao documentário “Encarando Ali” (2009), de Pete McCormack. 
Conta a vida e carreira de Muhammad Ali por meio de depoimentos de seus principais adversários. George Foreman, Joe Frazier, Ken Norton, Larry Holmes, George Chuvalo, Earnie Shavers e Leon Spinks, todos narrando os detalhes de suas lutas contra Muhammad Ali.
Para quem assiste o vídeo fica claro que nunca existiu um peso-pesado tão inteligente quanto ele, capaz de empregar táticas suicidas para superar adversários mais fortes, como na histórica luta contra George Foreman no Zaire, em 1974, quando apanhou por vários rounds só para tirar a energia de Foreman, antes de nocauteá-lo.
No filme, Foreman conta que Ali, no fim de um dos rounds, olhou para ele com uma expressão irônica em que parecia dizer: “Aha, te enganei. Agora vou acabar com você.”
Mas Ali não é o único grande personagem do filme. As histórias de vida de vários dos entrevistados são impressionantes.
É o caso de George Chuvalo, um peso-pesado canadense que perdeu duas vezes para Ali por pontos e que nunca foi nocauteado em mais de 90 lutas e 23 anos como profissional.
Chuvalo fala sobre a miséria de sua infância e relata sua trágica vida familiar, quando perdeu três filhos e a esposa para as drogas (a mulher e um dos filhos cometeram suicídio).
Os depoimentos são todos de engrandecimento a Ali, mas os entrevistados também não deixam de apontar suas possíveis fraquezas.
Chuvalo, por exemplo, garante que Sonny Liston entregou a famosa luta de 1965 contra Ali (diz a lenda que Liston trabalhava para a máfia de Chicago, que havia apostado pesadamente numa vitória de Ali).
Joe Frazier lembra a humilhação que sentiu com as provocações de Ali na imprensa, que feriram seu orgulho e o motivaram a vencer Ali na “Luta do Século”, em 1971.
Um dos depoimentos mais comoventes é o de Ron Lyle. Preso por assassinato ainda adolescente, Lyle aprendeu boxe na prisão e tornou-se um dos pesos-pesados mais temidos de sua época.
Lyle foi um dos únicos três homens a derrubar George Foreman e perdeu para Ali por nocaute técnico, numa luta que vencia por pontos e cuja interrupção foi motivo de muita polêmica.
Apesar disso, Lyle parece grato a Ali: “Eu vim da prisão, quase morri, mas tive a chance de lutar contra o maior campeão que já existiu. Estar frente a frente com Ali mudou minha vida.”

Assista ao Trailer do documentário no link abaixo:

http://www.facingalimovie.com/



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Ladrões de Ontem, Hoje e Sempre - O Castelo de Azay-le-Rideau


Longe do Brasil, imaginei eu que também estaria longe dos habituais escândalos promovidos por nossa folclórica fauna política. Mas qual não foi minha surpresa ao me deparar com o senhor Gilles Berthelot, um político francês que não faria feio diante de um Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha.
Responsável pelas finanças no reinado de Francisco I de França, Gilles Berthelot adquiriu o castelo Azay em 1510. A partir daí procedeu a reconstrução do local e o transformou numa encantadora residência de gosto italiano. O seu esplendor demonstra a nobreza obtida por seu proprietário no cargo de notário e secretário do rei.
Após casar-se com Phillippe (nome comum às mulheres na época da renascença) Lesbahy, herdeira das terras em redor, Bertchelot alavancou sua próspera carreira no reinado. Tudo muito parecido com os modernos ladrões do nosso Brasil, ele era ajudado por Semblançay, superintendente das finanças do reino, que era um parente seu. Quando este último é acusado de desfalques e executado, Berchelot foge. 
Em 1537, o rei Francisco I toma o magnífico castelo e entrega a seu companheiro de armas, Antoine Raffin.
Mas do castelo de Azay-le-Rideau, deixemos ao passado toda essa história. O que realmente interessa nele é sua beleza plantada numa magnífica paisagem.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Hermeto Pascoal Quebrando Tudo

Durante muitos anos ouvia essa música e imaginava como teria sido bom se eu pudesse ter também a imagem. Esses dias me lembrei dela e decidi procurar. E lá estava o video no Youtube. Faz parte da apresentação de Hermeto Paschoal no Festival de Jazz de Montreaux em1979. Uma pequena amostra da genialidade do "bruxo".

Quebrando Tudo também é o nome de um documentário feito sobre a vida de Hermeto, com seu dia a dia e depoimento de amigos e músicos. Video abaixo:

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Chora João

Nem nos meus mais loucos sonhos imaginei uma história dessas.
Caminhando pelos corredores da Advocacia-Geral da União onde, teoricamente, nada de surpreendente deveria me acontecer, fui interrompido por uma moça que tinha sido minha aluna. Ela me parou para me contar um caso ocorrido há 12 anos. Sua irmã, grávida de sete meses, estava em casa quando foi surpreendida por um ladrão e, nervosa, entrou em trabalho de parto. Como o improvável e o tragicômico não escolhem hora e lugar, deu-se que o ladrão, comovido com a situação, desistiu do assalto e levou a moça ao hospital. A criança nasceu prematura e permaneceu vários dias entre a vida e a morte. A mãe caiu em depressão. Minha aluna, na intenção de aplacar o sofrimento da irmã, achou que deveria dar a ela um pouco de música. E aconteceu que o instinto fraternal fez o seu dever de casa: no disco presenteado, a música que fiz para o meu filho João. Num dos trechos, a canção diz o seguinte: "Ouço alguém me chama é a voz do vento. Nova desmedida sensação. Toca a minha mão, a mão do tempo. Tempo que me fez o homem João. Pai é hora, o sonho que é viver. Choro agora, pra cantar quando crescer".
A mão se apegou a esse pequeno pedaço da letra como um mantra, fortalecendo a esperança de ver o filho sobreviver; e ele sobreviveu. Ela, por conta da minha música, resolveu que seu filho também se chamaria João. Segundo minha aluna, o menino tem hoje 12 anos e, contra todas as dificuldades, toca violão. E uma das músicas que mais gosta de tocar é "Chora João".
Todo mundo sabe que, após gravada e publicada, uma música engendra histórias fora do controle do seu autor mas, definitivamente, por tamanha aventura eu não esperava. A vida é realmente bela!


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Tempo Quente


O poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, é uma das obras que mais li na vida. Quando adolescente, na minha insanidade, de tão apaixonado tentei decorá-lo. Considerando o tamanho da obra, creio que fui muito bem ao conseguir recitar “de cabeça” algumas páginas do livro. Mas é óbvio que decorar tudo era tarefa praticamente impossível. Hoje me dou por satisfeito de já tê-lo lido centenas de vezes. 
Esses dias descobri uma maravilhosa versão do poema em desenho animado, e imediatamente enxerguei também a música escondida nas paisagens. Sem perder tempo, montei um video com a minha composição “Tempo Quente” e algumas imagens selecionadas do poema. Nos violões, eu e meu amigo Marcelo Barbosa. Segue abaixo o video:



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Um Cavalo na Câmara Legislativa de Brasília


Lá vinha eu transitando pelo eixo monumental quando me deparei com um cavalo negro diante da Câmara Legislativa. Mas o que faria aquele belo animal bem no centro da capital federal? Fiquei esperando para ver se o quadrúpede se movia correndo elegantemente como nas famosas cenas dos filmes de cowboy, mas nada aconteceu. Não dava um passo sequer. Aquela estranha imobilidade começou a me incomodar e, rapidamente, trouxe uma ponta de desespero. Os carros passavam e os motoristas pareciam não notar que aquele cavalo não estava se movendo. Não era possível. Havia algo muito estranho em seu comportamento. Será que somente eu percebia o drama do pobre animal? Um certo temor, relacionado a uma sombria desconfiança começou a tomar conta dos meus pensamentos e, não demorou muito, eu já estava tomado de pânico. Diante do trágico, em situações de desespero, os homens costumam orar. E foi o que me restou: Deus Pai, Todo Poderoso, reparador de iniquidades, cure esse pobre animal e permita que saia a galopar para bem longe, muito longe! Abri os olhos. Aaaaaahhhhhhh!!!!!!! Ainda estava lá. Meus temores se confirmaram. Era uma estátua, uma escultura, um enorme monumento negro a sei lá o quê. Prosseguindo a série de horrores que tem assolado a arquitetura de Brasília, agora havia a estátua de um cavalo diante da Câmara Legislativa. 
Definitivamente, apesar de toda minha imaginação, não consigo matar essa charada. O que diabos um cavalo e a Câmara Legislativa têm em comum? Nada contra a obra em si, mas, a estátua de um cavalo ficaria mais bem posicionada no parque de exposições da Feira Agropecuária. Será que erraram o endereço e o animal permanece lá porque ninguém o notou? Será que caiu de algum caminhão de mudança? Ou, pior, será que a população, desanimanada com as constantes mazelas da casa, desistiu de vez do que acontece dentro e fora dela? Seria razoável. 
Enquanto ninguém toma uma atitude para encaminhar o equino a paragem mais adequada, ele permanece lá, compondo um pavoroso cenário, juntamente com as bandeirolas amarelas e as bolas de aço do Memorial JK. E lá se vai a moderna arquitetura de Brasília rumo ao inferno medonho.
Faço um apelo aos nobres deputados: ou tirem de lá a cavalgadura, ou a coloquem para dentro e permitam que  também paste na verdejante grama do plenário! 
A vida é realmente bela!
PS: Os Deputados, talvez por medo da concorrência, decidiram pela primeira opção.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Arco do Pontão!

Mais uma da série de horrores que me intrigam aqui em Brasília. Esses dias, passando pela ponte  Honestino Guimarães, ou ponte do Pontão, como é mais conhecida, percebi que estava diante de um enigma:
- Alguém pode me explicar o que significa aquele arco medonho instalado na entrada do Pontão? Vamos recapitular: o Arco de Constantino, em Roma, é um arco triunfal nas proximidades do Coliseu, e foi erigido para comemorar a vitória de Constantino sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio, 312 AD.  O Arco do Triunfo é um monumento localizado na cidade de Paris, construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte. E o Arco do Pontão? Teria sido erigido em homenagem às incansáveis lutas dos nossos Imperadores Joaquim Roriz, Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda contra a corrupção?
Como se aquele amontoado de cimento sem propósito não bastasse, ainda colocaram uma bola de aço bem diante do portal. Mais uma bolota, da mesma série que assombra diariamente, e em todas as fotos, o Memorial JK. Que me perdoem as noivas, pois tenho visto que elas sentem uma estranha atração pelo inexplicável monumento, mas se eu pudesse levaria ao óbito aquele monstro.
E que o bom Deus nos proteja das boas intenções estéticas que ainda virão por aí! 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Uma Vaca Dentro da Kombi

O sujeito tinha uma vaca dentro de uma Kombi. Não era um cão, não era um gato, não era um papagaio, não era um macaco. Parado em um sinal, em plena rodoviária de Brasília, olho para o lado e..... uma vaca. 
Uma vaca dentro de uma Kombi fechada. Uma Kombi fechada. Não era na carroceria, como muitos podem estar imaginando. Seria demasiado óbvio e cansativo se a Kombi tivesse uma carroceria e o animal lá se encontrasse. Não. O improvável tinha o formato de vaca e estava dentro de uma Kombi fechada. Fique atento ao que escrevi: Fechada. Lambia o motorista. Esfreguei os olhos cansados, olhei novamente e ela ainda estava lá. Uma vaca dentro de uma Kombi. 
Lembrei de todos os filmes de Luís Buñuel, de todas as obras de Salvador Dalí. O motorista me olhou sorrindo. Estava pouco se lixando para a morte de Bin Laden, para a reeleição do Obama, para a queda e morte de Kadafi. Como escreveu Drummond: “Nunca me esquecerei desse acontecimento na história de minhas retinas tão fatigadas”. 
Na capital federal, numa monótona manhã de trabalho, um sujeito carregava uma vaca no interior de uma Kombi. 
A vida é realmente bela!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Tyson X Holmes - A História Por Trás da Luta

"Não se preocupe Campeão. Quando eu ficar grande vou pegar ele para você!" Mike Tyson

Cus Damato e Muhammad Ali conversavam ao telefone logo após Ali ser derrotado por Larry Holmes. Mike Tyson, aos 13 anos, ouvia a conversa e chorava pela derrota.

CUS: Como é que você deixa aquele vagabundo bater em você? Ele é um vagabundo, Muhammad, um vagabundo!... Tenho um jovem garoto negro aqui comigo. É um menino, mas vai ser campeão mundial dos pesos-pesados. O nome dele é Mike Tyson. Fala com ele para mim, Muhammad, por favor.

MUHAMMAD ALI: Eu estava doente. Tomei um remédio e isso me deixou fraco, e foi assim que Holmes me venceu. Vou ficar bem, vou voltar e vencer Holmes.

MIKE TYSON: Não se preocupe campeão. Quando eu ficar grande vou pegar ele para você!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Jandira da Gandaia


Osias Canuto e Jandira
Quando apareceu em minha casa tinha uma das patinhas enrolada num emaranhado de fio, barbante e linha de pesca. Estava muito machucada e foi um trabalho enorme livrá-la do indesejado novelo sem feri-la. Mas a retirada não pode impedir a perda de um dos membros. Machucada, mal comia e mal se acalmava. 
Com o tempo, de tanto cuidar dela, tornou-se minha amiga. Hoje, é companhia certa quando estou ao violão. E por mais que eu a coloque para trás do instrumento, ela retorna para ficar bem em frente à caixa de ressonância, onde o som é mais alto. 
Posso ficar horas tocando e ela permanecerá alí, bem quietinha, ao meu lado. Ouvitne respeitosa, é incapaz de fazer qualquer comentário ou barulho durante a execução das músicas.
Gosto de chamá-la Jandira, por conta de uma canção de João Bosco e Aldir Blanc: "Jandira da gandaia, tu era da minha laia.....!  E, já percebi, ela realmente é da minha laia. Tanto que, certa vez, dormiu me ouvindo cantar Joana Francesa, de Chico Buarque. Mas se for durante o dia, prefere mesmo ouvir música instrumental.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Garota Americana na Itália

A foto abaixo leva o título de “Garota Americana na Itália”. Foi feita por Ruth Orkin, considerada ainda hoje um dos grandes nomes da fotografia americana.
Enquanto passeava pelas ruas de Florença, Orkin ficou impressionada com a reação dos italianos à passagem de Ninalee Craig, uma garota americana de 23 anos que viajava só pela Europa.
Fotógrafa e Fotografada não se conheciam até aquele momento. Orkin abordou Ninalee e pediu que passasse novamente entre os homens. O resultado desse encontro inesperado é uma foto maravilhosa, que se tornou famosa em todo o mundo. No link mais abaixo você poderá ver a foto em tamanho gigante.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nosso Cantinho


Onde o grande mestre da sinuca, Walter Brasília, recebe seus amigos.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Meu Diálogo com Affonso Romano de Sant'Anna


"Sois rosa, senhora. E posto que o tempo se esvai, se esvai.
  E uma rosa não dura muitos sóis.
  Deixai que eu colha em vosso corpo a rosa que sois vós."

Alguém saberia dizer de quem são esses versos extremamente canalhas? Se ninguém souber, e puder comprovar a autoria.... são meus.
Por muitos anos recitei esses versos para inúmeras mulheres. Quando eu estava alcoolizado, ou por pura canalhice, afirmava que eram meus. Quando estava sóbrio, confessava: Affonso Romano de Sant'Anna.
Num belo dia saudosista resolvi procurar o poema inteiro na internet. Pesquisei de todas as formas e não encontrei nada. Decidi, então, que a melhor coisa seria escrever ao poeta Affonso Romano, autor dos versos, e pedir que me enviasse a obra completa. Escrevi e contei como eu tinha usado seu poema para dezenas de conquistas, e finalizei pedindo que me encaminhasse o poema inteiro. Mas a vida adora pregar peças, e qual não foi a minha surpresa ao receber a resposta do grande poeta: 

"Osias, meu caro, essa ideia, quase esses versos, foram usados por vários poetas renascentistas e barrocos. Deve haver na internet um soneto de Ronsard sobre isto, Gongora e G. de Mattos versam isto. Era um tema comum sob o nome de "carpe diem". Dê uma olhada no Google, hoje indispensável.
PS: Hoje as mulheres é que dizem isto pra gente."

Minha conversa com o poeta Affonso Romano ainda prosseguiria divertidamente acerca do assunto, mas, o essencial era: os versos não eram dele e ele desconhecia a autoria. Agora eu tinha um problema. Não pertenciam ao famoso poeta e não estavam na internet. Seriam os versos fruto da minha insana imaginação? Convenhamos que, à época em que eu fazia uso desses versos, também fazia uso de muitas outras coisas que costumavam tornar minha ideias bem confusas. E não era raro eu acordar com poemas inteiros em minha cabeça. Coisas que tinha sonhado. Mas o importante é que um sem número de mulheres consideraram o apelo dos "meus" versos e da minha canalhice e, em função disso,  pudemos aproveitar melhor o tempo. Não obstante essa história toda, prossegue o enigma acerca do autor. São seus? Então prove!

Sois rosa, senhora.......

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Quadrilha - Chico Buarque e Francis Hime


Esses dias eu estava em casa tocando a música Quadrilha, de Chico Buarque e Francis Hime, e me atentei para o fato de que muitos dos meus amigos simplesmente desconhecem essa canção. Normal. Quadrilha é uma canção composta para o filme “A Noiva da Cidade”. Como não existe registro na discografia regular de Chico Buarque, muita gente desconhece. Decidi procurar o vídeo. Imperdível. Que saudade dos arranjos do Francis Hime nos discos do Chico. Assisti repetidas vezes. Para quem não conhece, segue aí abaixo. 


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Bombay Masala - NY


Solicito ao garçom que me traga um Chicken Vindaloo. Ele me olha desconfiado e com um sorriso malicioso no rosto. Sabe que é o tempero mais forte da casa. Deve pensar: - "Esse brasileiro não perde por esperar." Quando chega a comida ele permanece me olhando com o mesmo sorriso. Aos poucos vai se decepcionando com minha cara de satisfação. Não sou marinheiro de primeira viagem nem vim ao restaurante por um acaso.
Situado na 49 Street com a 7ª Avenida, o Bombay Masala é o restaurante indiano mais antigo dos Estados Unidos. Para ser mais preciso, funciona neste local desde 1917. Nada de luxo, movimento ou ostentação. É um ambiente calmo, bastante frequentado por indianos e ingleses. Creio que isso já é motivo suficiente para confiar na originalidade dos pratos. Descobri por acaso e, desde então, sempre que vou a Nova York, vou ao Bombay Masala. Se eu ficar um mês na cidade, sou capaz de ir quinze, vinte vezes ao restaurante, ou seja, boa parte dos dias.
Se você estiver em New York e decidir ir ao Bombay Masala, não se assuste com algum papel colado no vidro. A vigilância sanitária americana tem o estranho hábito de notificar o restaurante. Tem sempre um aviso de que algo não está dentro das normas. Acredito que é mais um problema dos fiscais americanos que dos indianos. Se o restaurante é um original da Índia, possivelmente aquilo que eles consideram critérios de limpeza seja um pouco diferente do que os americanos esperam encontrar. O que posso dizer é que fui lá dezenas de vezes e jamais passei mal.
Mas creio que esse é um texto escrito para quem, como eu, gosta de comida indiana, de pimenta e de temperos fortes. Se você tem medo, não se arrisque. De minha parte, no quesito limpeza de restaurantes, procuro me pautar pelo ditado "Quem procura acha!". Por isso, não procuro nunca. E assim, eu e inúmeros indianos e ingleses, que sempre estão por lá, vamos nos satisfazendo em maravilhosos almoços e jantares no Bombay Masala.


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Lanchinho

Num tempo há muito perdido, os amigos decidiram que a música que faziam deveria chegar aos ouvidos de seus iguais. Totalmente de acordo com a alma vadia dos três rapazes, o lugar onde tocariam teria que acomodar, com o necessário respeito, todo tipo de vagabundo e meliante. Lanchinho, esse era o bar. Um punhado de bêbados, mendigos, ovos de codorna, coxinhas, torresmo, moscas, ratos e baratas. O paraíso não se constrói com luxo, mas com a simplicidade do absurdo. E a qualidade do som não tardou a atrair o público. Gente rica, gente pobre, gente estranha, gente louca e gente gente. Regadas a muita cachaça, Chico Buarque, Aldir Blanc, João Bosco e tantos outros, as noites de quinta no Lanchinho alcançaram o paraíso. Mas era muita energia descontrolada para um lugar tão humilde, e o pequeno bar não suportou tamanha loucura. Obrigado Newton Guimarães, Garrincha, Menino da Papuda, Igor, Aroeira e todos os demais passageiros do absurdo. O Lanchinho é parte inesquecível das minhas memórias do subterrâneo.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Chico Buarque - Flor da Idade

 "A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia pra ver Maria. A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia......" 
Abaixo, o video de 1976 traz Chico Buarque cantando "Flor da Idade" sob a regência de Francis Hime. E, ao violão, alguém que me parece o grande mestre Heraldo do Monte. Além dele, no minuto 1:09, para meu espanto creio ter visto ao violino o escritor português José Saramago. Mas talvez não seja ele. Talvez eu tenha bebido.
"Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor..."


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

La Petite Périgourdine - Paris


Pavê de Boeuf, Aligot
O La Petite Périgourdine é um pequeno restaurante situado na Rue des Ecoles, 39, no Quartier Latin, próximo à Sorbonne. Está entre os 100 melhores de Paris, o que não é pouco, considerando a fama gastronômica da cidade. Mas nada de badalação, ostentação ou coisa parecida.
O prato mais famoso da casa é o “Pavê de Boeuf, Aligot”, um filé com molho de gorgonzola acompanhado do famoso purê de batata e queijo tomme. Abaixo, segue o video do momento em que o purê é servido.
Se você vai a Paris creio que vale à pena uma visita ao restaurante. O  ambiente é muito simples e agradável, totalmente de acordo com a presença dos estudantes, turistas e moradores dos arredores, que chegam ao local de bicicleta ou a pé.
Para quem quer se arriscar na cozinha, vai aí a receita do purê: - 500 gramas de batata – 250 gramas de queijo tomme fresco - 20ml de creme de leite fresco – 15 gramas de alho picado, sal e pimenta. Mexer a mistura numa temperatura de 80º C até encontrar o ponto de fio.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sinuca com Walter Silva e Paulinho da Viola

Paulinho da Viola, Osias Canuto e Walter Brasília
Paulinho faz jus ao apelido de “Príncipe da MPB”. É um sujeito gentil e tranquilo, que te trata sempre com muita educação  e  simpatia. Aliás, um temperamento muito parecido com o do mestre Walter. Talvez por isso o tenha escolhido para padrinho de uma de suas filhas.
Além do incontestável talento musical, Paulinho da Viola é um apaixonado pela sinuca, e joga com clara competência. Passar uma noite entre ele e seu compadre Walter Silva, jogando sinuca e ouvindo música, é algo que não se descreve. Sendo assim, não vou correr o risco de falar demais e diminuir o que aconteceu comigo.

Osias Canuto e Paulinho da Viola 



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

On The Road






 
Por vezes ocorre de eu compor algo que não sei exatamente por que o fiz. Consigo identificar o sentimento, mas não o objeto que o provocou. E assim a música vai ficando sem título e sem ser gravada. 
Viajando pela Interestate 15 North, estrada que liga Los Angeles a Las Vegas, decidi capturar algumas imagens da bela paisagem do deserto e montar um vídeo clipe. A música que eu usaria já tinha na cabeça. Se enquadrava num desses casos descritos acima. Composta há muitos anos, esperava no armário por essas imagens. Agora encontraram-se corpo e alma.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Crônica de Um Amor Louco

Crônica de Um Amor Louco é o primeiro volume da obra Ereções, Ejaculações e Exibicionismos, de Charles Bukowski. Nascido na Alemanha e criado nos Estados Unidos, Bukowski teve uma vida completamente louca. Por conta de algumas inflamações que deixaram marcas por todo seu corpo, sofreu psicologicamente muito mais do que o normal. Se é que isso é possível de se dizer: foi salvo pelo álcool e pelos livros. 
Levou uma vida miserável que lhe favoreceu a escrita. Conhecia exatamente o submundo sobre o qual escrevia. Seus livros são, além de literatura, autobiografia, e isso o tornou um escritor único que levou muitos imitadores de seu estilo a fracassarem, pois ao contrário de Bukowaki, não tinham a matéria prima na alma. Como um alerta aos imitadores, em sua lápide está escrito: Don´t Try.
Mas não vou ficar aqui escrevendo a biografia de Bukowski, o que eu queria mesmo era falar de Ornella Muti.
Assisti algumas centenas de vezes ao filme Crônica de Um Amor Louco (Storie di Ordinaria Follia), de Marco Ferreri, com Ben Gazzarra e Ornella Muti. E de tanto assistir acabei compondo a canção “Mares”. Uma homenagem à Ornella, que agora coloco no Youtube (link abaixo), com imagens do curta “Histoire Sans Parole”.
Ornella, no auge dos seus 22 anos, não era uma mulher, era um escândalo!! 
A vida é realmente bela!!
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

The Long and Winding Road


Parado diante do Studio Abbey Road, em Londres, imediatamente me vem à memória o vídeo da canção que, para mim, é a mais bela canção dos Beatles: The Long and Winding Road.
Imaginei os quatro entrando no Studio, já praticamente sem trocar palavras entre si, e indo para a gravação. A música, embora seja registrada como parceria entre Paul e John, é somente de Paul MacCartney. Foi composta em sua fazenda, na Inglaterra, e já era um prenúncio do fim da banda. A letra, melancólica, diz tudo. “The wild and windy night that the rain washed away has left a pool of tears crying for the day”.
Mas o que eu queria mesmo é falar sobre o vídeo. Simplesmente lindo! A presença de Yoko Ono, pálida e fria como a morte,  era uma afronta aos demais integrantes. Muitos atribuem a ela os créditos pelo fim da banda. Besteira. Yoko Ono, apesar de ter tido enorme influência sobre John Lennon, não teve tanto poder assim. Os Beatles acabaram porque alcançaram o que Hitler e Napoleão perseguiram inutilmente: conquistaram o mundo. Não tinha mais sentido existir. Alcançaram tudo que uma banda de Rock pode imaginar conseguir e muito mais. Não é possível a existência nestas condições. Não há mais objetivos a serem buscados. Se, além disso, existe outro motivo, acredito que a morte prematura de Brian Epstein pode ser considerada o início do fim dos Beatles. Epstein, com toda sua loucura, era o que permitia aos garotos pensarem somente em se divertir e compor. Quando morreu deixou um vazio jamais ocupado.
No vídeo é possível sentir o clima triste e melancólico do fim de um relacionamento. John Lennon e George Harrison cabisbaixos, empunhando guitarras das quais quase não se ouvem notas. Ringo Star olhando fixamente para câmera era um zumbi baterista. É como se Paul MacCartney estivesse só no Studio. Ele e o tecladista Billy Preston, responsável pelo lindo solo.
Não posso contar quantas vezes já assisti a esse vídeo. E não me canso. Segue aí, para quem nunca viu. É uma das coisas mais lindas e tristes que já vi em toda minha existência.
A vida é realmente bela!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Segredo da Música


O segredo? Não tem segredo! Tem é que estudar, estudar, estudar, estudar........



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Noite de Rush no O'Rilley





Osias Canuto
Osias Canuto
Osias Canuto
Osias Canuto

Osias Canuto

terça-feira, 25 de julho de 2017

Sete Meninas - Dominguinhos

Na competente companhia dos meus amigos Ivanildo Luiz e Newton Guimarães, minha homenagem a Dominguinhos em "Sete Meninas".

                                                   A beleza de Maria ela só tem pra dar
                                                   O corpinho que ela tem 
                                                   E seu andar requebradinho
                                                   Mexe com a gente e ela nem, nem
                                                   E ela nem, nem........




quarta-feira, 21 de junho de 2017

Mestre Walter Brasília

Osias Canuto e Walter Brasília
Contemporâneo de outros tantos grandes jogadores como, Carne Frita, Praça, Fantoche, Rui Chapéu e Roberto Carlos, Walter Brasília brilhou na sinuca nacional num tempo em que não havia o benefício do Youtube. Preocupado com isso, decidi que para a alegria de quem o viu jogar, e de todos aqueles que gostam desse esporte, era hora de levá-lo ao mundo virtual. 
Para possibilitar a todos que vejam mestre Walter em ação, segue aí abaixo uma pequena amostra do seu infinito repertório. Algumas filmagens foram realizadas em minha casa e, outras, no espaço "Nosso Cantinho", que é o local onde Walter recebe os amigos. 
Como aluno e amigo, é uma alegria poder jogar contra ele. Se bem que, jogar contra ele é força de expressão. Na verdade, você está sempre tendo uma aula, seja porque ele não deixa nunca de dar orientação sobre a melhor jogada, ou seja pelo simples fato de poder vê-lo jogando e aprontando alguma das suas. 
Como todos sabemos, mas fingimos que não sabemos, durante o jogo Walter está continuamente brincando com a gente. Se realmente jogasse sério, provavelmente você só tocaria na bola uma única vez: para abrir a partida.