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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Lanchinho

Num tempo há muito perdido, os amigos decidiram que a música que faziam deveria chegar aos ouvidos de seus iguais. Totalmente de acordo com a alma vadia dos três rapazes, o lugar onde tocariam teria que acomodar, com o necessário respeito, todo tipo de vagabundo e meliante. Lanchinho, esse era o bar. Um punhado de bêbados, mendigos, ovos de codorna, coxinhas, torresmo, moscas, ratos e baratas. O paraíso não se constrói com luxo, mas com a simplicidade do absurdo. E a qualidade do som não tardou a atrair o público. Gente rica, gente pobre, gente estranha, gente louca e gente gente. Regadas a muita cachaça, Chico Buarque, Aldir Blanc, João Bosco e tantos outros, as noites de quinta no Lanchinho alcançaram o paraíso. Mas era muita energia descontrolada para um lugar tão humilde, e o pequeno bar não suportou tamanha loucura. Obrigado Newton Guimarães, Garrincha, Menino da Papuda, Igor, Aroeira e todos os demais passageiros do absurdo. O Lanchinho é parte inesquecível das minhas memórias do subterrâneo.



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