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domingo, 12 de maio de 2013

Receituário Para a Salvação das Almas IV



Para Sempre - Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça, é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre 
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino 
feito grão de milho.


4 comentários:

Mariana Caudilho disse...

Obrigado por postar essa maravilha!

Lena disse...

Lindo e verdadeiro. Tomara que Deus escute o Carlos Drummond de Andrade!
Tomara!

Jorge Jóia disse...

Esta é a poesia que mais me lembra as tuas declamações. Ela é muito Osias Canuto.
Tudo de bom.

Osias Canuto disse...

Bons tempos, Jorge. Abraços.