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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Morte do Motoboy





O sangue do motoboy deixou um verso na calçada:
um verso vermelho e veloz;
um verso branco e triste.

O sangue do motoboy deixou um verso na calçada:
agudo como os seios de fulana,
vivo como a hóstia consagrada.

O sangue do motoboy deixou um verso na calçada:
e por mais que sangre o sangue,
não paralisa o trânsito, não eterniza o morto,
não interrompe a vida na cidade acelerada.

2 comentários:

Lena disse...

Perfeito!

Bjs

Julia disse...

Que poema lindo! Tão curto e tão perfeito!