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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Deus Não Joga Dados

Algumas pessoas são perfeitas para serem usadas como enfeite de jardim. Sempre imaginei que eu poderia ter um jardim repleto de lindos seres que conheci, ou simplesmente vi caminhando pelas ruas ao longo da vida. Eu lhes pagaria um ótimo salário e eles ficariam ali, apenas sendo o que são.
Chiquinho trabalhava no setor de diárias e passagens. Toda vez que eu olhava aquela criatura tentava imaginar o que a natureza teria feito para gerar semelhante absurdo. Eis aí um grande mistério da vida! Nada de Teorema de Fermat, Big Bang, Mapeamento Genético ou outras bobagens. O verdadeiro mistério era a conspiração universal que resultara no nascimento de Chiquinho. E o pior: era casado. Sim. Chiquinho era casado. Alguém formava par com ele. Esse enigma me destroçava os miolos. Pensei em inúmeras possibilidades, e nada. Nada. Não conseguia desenhar a tal mulher. Quem faria isso? Casar-se com Chiquinho? Não estou falando de feiúra, falo de todo o absurdo que era Chiquinho: gestos desconexos, conversa sem pé nem cabeça, etc.
Cleycianne trabalhava na divisão de orçamento. E agora, além de gestos desconexos e conversa sem pé nem cabeça, falo de infinitos desatributos femininos. E o maior de todos os enigmas: era casada. Alguém formava par com aquela desconexão estético-intelectual. Imaginar o tal marido consumia horas e horas dos meus dias.
Eis que num fim de tarde, caminhando em direção ao meu carro, tenho a imagem reveladora. Naquele momento fui tocado como os três pastorezinhos diante da aparição de Nossa Senhora. Eu tinha ali a revelação do “último” mistério de Fátima: Chiquinho e Cleycianne juntos num veículo. Me senti humilhado em minha inteligência e capacidade lógica. Como fui incompetente!! Como não pensei nisso antes? Chiquinho e Cleycianne!! O óbvio lambeu minha face durante todo esse tempo como um cão amigo e eu não senti seu afago. Era incansavelmente lógico. O amor, como a água ou o ar, penetra minúsculas frestas e descobre seu caminho no inimaginável. Chiquinho e Cleycianne. Não poderia ser de outra forma. Einstein tinha razão: “Deus não joga dados”.
A vida é realmente bela!

3 comentários:

Anônimo disse...

Isso é maravilhoso.

Carol disse...

"O amor, como a água ou o ar, penetra minúsculas frestas e descobre seu caminho no inimaginável." Lindo!

Anônimo disse...

Como disse um professor meu na sala: "Não existe gente feia, mas sim portador de aparência especial". Kkkkkkkkkk Bjs Ró